Os mortos abandonam
crónicas escritas a vermelho
nas entradas laterais do mais
insólito suspiro da mente
(humana?). No fim chamam-nos
todos humanos porque não
fizeram questão de nos abrir
a cabeça e os dentes e as unhas
sujas de sonhos, não se lembraram de
pesquisar o cosmos atrás da retina
nem trouxeram do fim do mundo
o princípio das palavras.
A surdez conquistou-lhes
uma voz perdida e esperam
que o mundo acabe na esperança
que comece o sonho.
Somos todos uma espera denegrida
de nada, um segundo nome da
inteligência: inexistência.
Posted at 11:14 pm by mortir
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groze April 16, 2009 03:35 AM PDT
* peremptória (já é tardito, e possuo uma quantidade considerável de álccol em cima... logo, conte-se com isso.) |
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groze April 16, 2009 03:33 AM PDT
Sei bem que me faltam as palavras para a tua sensibilidade, para a tua íntegra genialidade, para a tua poesia inteira, e também sei quanto disto é lugar-comum. Acho, cada vez mais, que os clichés, os lugares-comuns, sucedem por serem tão apenas muito verdadeiros, e ler-te provoca-me isto.
Creio, de forma permeptória, estar perante um dos maiores valores da minha geração, um dos maiores poetas do meu tempo - digo eu, que vou lendo e escrevendo umas coisas, logo, achando-me em posição de poder calcular e julgar as coisas. É um grande privilégio poder ir lendo o que fazes, ainda que isto soe tanto a coisa que se diz "porque sim"... bem, a verdade é que eu nunca disse nem fiz nem senti nada "porque sim". E vou-me sempre encantando com cada mundo que crias em cada poema. |
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