Thursday, November 26, 2009
eva

podemos beber as nossas vidas inteiras e no
fim observarmo-nos mutuamente, um no
fundo e outro na cabeça de uma garrafa,
podemos ser uma casa ou um abrigo qualquer,
um alpendre onde os animais se possam guardar,
onde as aves possam morrer. podemos segurar-nos
um ao outro antes que os nossos corpos envelheçam,
e eu posso-te beijar os ombros e assegurar-te
as minhas mãos, podemos comer toda esta fruta;
as maçãs, para ti, as laranjas, para mim, e posso
olhar-te à distância, os lábios e os dentes e a língua
trincando as maçãs, lendo um livro qualquer com
o chapéu e com o cabelo e com as unhas e as mãos,
à distância apetece-me adormecer no teu cheiro,
podemos presumir que o mundo está morto
e que a única coisa que resta é o teu corpo;

entretanto um gato atravessa de uma margem para a outra
num toro de madeira flutuante.

Posted at 02:08 am by pedro tiago

R.Joanna
January 22, 2010   12:13 AM PST
 
Pois não.
Mortir
November 30, 2009   01:06 AM PST
 
Gosto mesmo muito deste texto.

E aposto que não serei só eu.
 

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"Poesia é uma coisa que não é a mesma coisa mas é igual."

Beatriz Bruno Antunes, 4 anos


   

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