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dizias tu, no meio da aldeia, com o chapéu cheio de frutos que, se não eram naturais, pareciam. Eu disse-te qualquer coisa de que não me recordo, comparando-te à Carmen Miranda e tu não gostaste e empurraste-me o braço. Depois amuaste e foi como se um bocadinho de sol - repara - tivesse sido engolido por uma nuvem. E as mulheres que trabalhavam nos campos também se aperceberam e ergueram-se de mãos sobre os olhos, para ver o que se tinha passado. E os homens fecharam-se nos cafés e nas tabernas. Tu não disseste mais nada a tarde toda e os frutos no teu chapéu pareciam, agora, cada vez mais orgânicos, como se a qualquer momento pudessem iluminar um destes becos, conforme anoitecia. Eu só gostava de aprender a morrer de outra forma menos dolorosa. Mais poética. Foste-te embora sem que eu tivesse oportunidade de te dizer que te preciso. Preciso imenso de ti para um poema. |
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